O discurso bem estruturado e a desenvoltura de Josielle Barbosa da Silva, 17 anos, impactam rapidamente. Em menos de 10 minutos de conversa, ela encanta com sua visão de mundo global e postura cidadã extremamente politizada. Natural de Panelas, no interior de Pernambuco, a adolescente discorre sobre as mais diversas e complexas temáticas, indo de protagonismo juvenil a feminismo ou de perspectivas de futuro para os jovens nas pequenas cidades ao direito ao voto.  

Josielle Barbosa, 17 anos, presidente do NUCA Panelas
Josielle Barbosa, 17 anos, é presidente do NUCA Panelas. Foto: Raoni Libório

Com um perfil tão desbravador, Josielle conta que defender um espaço para ser ouvida e ter direito à participação nunca chegou a ser muito difícil “para ela”, faz questão de frisar. Mas reconhece que, para muitos adolescentes, “ter voz” é um momento raro. E lembra que ela mesmo se encontrou e pôde ampliar discussões que ainda a angustiam ao conhecer e participar do Núcleo de Cidadania dos Adolescentes (NUCA). O NUCA foi criado em Panelas na edição passada do Selo UNICEF e fortalecido desde 2017, início da atual edição (2017-2020).  

“O NUCA é uma porta aberta. É uma forma de mostrar que o adolescente pode tudo. O jovem é o presente da nossa sociedade, não o futuro.”

Um dos objetivos do Núcleo, destaca, é mostrar aos adolescentes do município que existe um grupo ali, à disposição, acessível e presente. “Tem muito adolescente que precisa ter espaço para a voz, que não acredita. Estamos presentes para cobrar nossos direitos. O município nos ajuda, nos incluindo nos eventos da cidade e dando visibilidade. Mas nós lembramos a todos que estamos presentes, inclusive, votando”, reforça. Atualmente, Josielle é a presidente do NUCA. 

Meninas empoderadas

Oficina de dança é uma das mais disputadas no NUCA
Oficina de dança é uma das mais disputadas no NUCA. Foto: Raoni Libório.

Seguindo com naturalidade para o tema do feminismo, outro assunto que costuma ter vez entre os adolescentes do grupo, Josielle conta que, desde pequena, se relacionava melhor com meninos e, até hoje, mantém muitas amizades masculinas. Ela aproveita o bom relacionamento para tentar desconstruir algumas imagens machistas. “Na nossa sociedade, os meninos são educados para serem machistas. E, nós, que já refletimos e somos feministas, precisamos correr atrás. Eles começam a pensar diferente porque é a amiga deles que ta falando ou sofrendo. Em vez de só criticar, tento conversar e mostrar que a luta por igualdade é de todos”, diz. 

Apaixonada por futebol, ela reforça que já ouviu muitos meninos mandarem ela se calar ou sair de perto por ser menina e não saber do que estava falando. “Não gosto de jogar, mas amo ver os jogos e falar de futebol. Eu nunca cedi. Alguns foram vendo que eu podia entender disso sim. Disso e do que eu mais quisesse”, lembra. Outro benefício do NUCA, destacado por Josielle, é que ele reúne todos os tipos de jovem, com condições financeiras e sem, meninos e meninas com todos os gostos. “No NUCA eles esquecem dessas diferenças e, quando elas estão à mostra, isso é respeitado. Sem preconceitos”, destaca. 

Como forma de contribuir com o despertar, o desenvolvimento e até mesmo o auto-conhecimento de outros adolescentes e jovens, o NUCA proporciona oficinas de dança, canto, violão e artes manuais. Josielle é a instrutura da oficina de dança. E, como um convite a outros adolescentes, ela enfatiza que o lugar deles é no palco, não na plateia. “O palco é grande. Vamos dar a mão e puxar o outro pro palco. Nosso lugar não é na plateia. O palco é vida, é brilho”, diz. 

 A desenvoltura fez Josielle ser uma das adolescentes indicadas para representar o NUCA nas atividades do World Children Day (WCD), no ano passado, quando um grupo de adolescentes pernambucanos assumiu o controle de um programa de entrevistas do Sistema Jornal do Commercio. O programa web (TV JC) abordou diversas temáticas e ficou bastante dinâmico com a participação dos adolescentes. Na ocasião, diversas atividades aconteceram no mundo todo, marcando o Dia Mundial da Criança celebrado em 20 de novembro. Saiba mais sobre a data aqui

Implantação do NUCA é atividade obrigatória no Selo UNICEF 
Previsto na metodologia do Selo UNICEF, o Núcleo de Cidadania dos Adolescentes (NUCA) deve funcionar como espaço ou instância de participação de adolescentes. Sua proposta é articular adolescentes para mudar os locais em que estão inseridos por meio de formação e atividades de transformação.

Cada município inscrito na iniciativa deve ter, pelo menos, um NUCA criado e composto por, ao menos, 16 adolescentes (oito meninas e oito meninos) de 12 a 17 anos de idade, preferencialmente com diferentes características, como com e sem deficiência, moradores de diferentes localidades do município, com e sem experiência em grêmios estudantis, grupos culturais, associações de moradores, entre outros coletivos. Eles se organizam em rede, discutem questões importantes para seu desenvolvimento, implementam ações e levam suas reivindicações à gestão pública municipal.

O Selo UNICEF
A Edição 2017-2020 do Selo UNICEF conta com a participação de mais de 1.924 municípios de 18 estados brasileiros, na Amazônia e no Semiárido. Seu sucesso é resultado da parceria entre o UNICEF e governos estaduais e municipais por meio da atuação integrada entre diferentes níveis de governo voltados às crianças e adolescentes.

Alcançar os mais de 1.900 municípios que participam do Selo UNICEF só é possível graças ao apoio de milhares de doadores individuais e de parceiros corporativos como Amil, Instituto Net Claro Embratel, Fundação Itaú Social, RGE, Enel, Coelba, Cosern, Celpe, BNDES, CPFL, Sanofi, Neve, Energisa, Celpa e Cemar. Mais informações sobre o Selo UNICEF em www.selounicef.org.br.

Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) promove os direitos e o bem-estar de cada criança em tudo o que faz. Com seus parceiros, trabalha em 190 países e territórios para transformar esse compromisso em ações concretas que beneficiem todas as crianças, em qualquer parte do mundo, concentrando especialmente seus esforços para chegar às crianças mais vulneráveis e excluídas. Saiba mais em http://unicef.org.br/.http://unicef.org.br/